Confissão de Fé da Aviva Church — Versão 2.0 (2024). Documento oficial do Conselho Eclesial, baseado na Declaração de Fé da Fraternidade Reformada Mundial (Maryland, EUA, 2011), com expansões próprias da identidade doutrinária da Aviva Church.
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Sumário
- Nota Editorial
- Capítulo 1 — A Doutrina de Deus
- Capítulo 2 — O Mal e o Pecado
- Capítulo 3 — A Pessoa e a Obra de Cristo
- Capítulo 4 — A Pessoa e a Obra do Espírito Santo
- Capítulo 5 — A Obra de Salvação Realizada por Deus
- Capítulo 6 — A Vida Cristã
- Capítulo 7 — As Escrituras Sagradas
- Capítulo 8 — A Igreja
- Capítulo 9 — A Tradição
- Capítulo 10 — Missão e Evangelismo
- Capítulo 11 — Lei e Ética
- Capítulo 12 — Escatologia
- Capítulo 13 — Doutrinas Teológicas e Sistemáticas
Nota Editorial
Esta é a Versão 2.0 da Confissão de Fé da Aviva Church. Em relação à versão anterior, foram incorporados tópicos da Declaração de Fé da Fraternidade Reformada Mundial (Maryland, 2011) que complementam a base doutrinária já existente, notadamente nos capítulos sobre Salvação, Escrituras Sagradas, Lei e Ética, e Escatologia. O Capítulo 13 — exclusivo da Aviva Church e ausente na declaração de Maryland — foi substancialmente expandido, com explicações mais detalhadas sobre as posições teológicas adotadas, aceitas com diálogo e rejeitadas, a fim de tornar este documento acessível a membros que não possuem formação teológica prévia.
A confissão não possui valor doutrinário equiparado às Escrituras — somente a Bíblia Sagrada é inerrante e Palavra de Deus. A função desta Confissão, como de qualquer outra, é elucidar temas teológicos e auxiliar na compreensão de pontos das Escrituras.
Capítulo 1 — A Doutrina de Deus
A identidade do Criador
Cremos em um único Deus, que é o criador, sustentador e governador de tudo que existe. Por seus decretos eternos, Ele estabeleceu o universo e governa-o de acordo com sua vontade soberana. Não existe nenhum ser maior do que Ele, e nenhum ser tem o poder de afetar, modificar e diminuir a sua soberania sobre a sua criação.
O Criador e suas criaturas
Deus comunica sua presença e seu poder a todas as suas criaturas, mas em particular à raça humana, que Ele criou à sua imagem, tanto homem como mulher. Existe igualdade básica entre homens e mulheres, mas com diferenças, de modo que os chamados aos homens e mulheres não são intercambiáveis, mas complementares. Apesar de não haver distinção de gênero em Deus, Ele se revela a nós em termos masculinos, e seu Filho se encarnou como um homem.
A auto-revelação do Criador a todos os seres humanos
Deus é um ser pessoal e se revela em termos pessoais. Nos tempos antigos, Ele falou a muitas pessoas em muitas maneiras diferentes. Suas palavras foram acompanhadas e suas promessas se cumpriram por ações que eram sinais de seu poder. Ao falar com os homens, Deus revelou tanto a si mesmo como os seus propósitos para eles, na expectativa de que corresponderiam obedecendo ao que Ele lhes ordenara.
A ordem natural dá testemunho da existência, do poder e da majestade de seu Criador divino, de modo que ninguém possui qualquer desculpa para não crer nEle. Revelação geral é a expressão usada para descrever aqueles meios pelos quais Deus se revela a todos os seres humanos, sem exceção, na natureza, na história e na consciência. A revelação geral é suficiente para nos tornar cônscios da existência e do poder de Deus e, até, de nossas responsabilidades para com Ele, mas não é suficiente para trazer-nos à salvação. A revelação especial é exigida porque, como criaturas caídas, somos espiritualmente cegos e mortos. Obtemos o verdadeiro conhecimento de Deus quando somos capacitados por Deus a ver e a entender a verdade de sua auto-revelação.
A natureza do conhecimento humano
Pelo fato de que o homem foi criado à imagem do Deus pessoal, tanto Deus como os seres humanos são seres pessoais. Pensam, comunicam-se uns com os outros em maneiras que podem ser expressas em linguagem humana. O conhecimento humano é essencialmente pessoal e se estende de uma habilidade de adquirir e catalogar detalhes factuais à capacidade de analisá-los para chegar a um entendimento de seu significado e propósito mais profundo. O conhecimento humano é limitado objetivamente pela finitude da criatura e subjetivamente pela rejeição de Deus, que conduziu a um estado de pecaminosidade radical.
A auto-revelação do Criador ao seu povo da aliança
Deus se torna mais plena e completamente conhecido ao seu povo da aliança, com quem Ele estabeleceu um relacionamento especial. Deus se revela a eles pelo seu Espírito, mediante a sua Palavra, que é falada (pregação), escrita (Escritura Sagrada) e viva (em Jesus Cristo). Deus falou de modo especial a Abraão, a quem fez a promessa de que se tornaria o pai de uma grande nação. Por meio dos descendentes de Jacó, Israel se tornou um povo especial cujo destino histórico era receber e transmitir a Palavra de Deus ao mundo e preparar a vinda de um Salvador divino. A Igreja, portanto, tem a obrigação de compartilhar a mensagem de Jesus como o Messias, Salvador e Senhor, com o povo judeu e com quaisquer outro povo e nação.
Os Pactos de Deus
Pacto das Obras: estabelecido por Deus a Adão no Éden. Os termos eram simples: obedecer é viver, desobedecer é morrer. Adão desobedece, morre em pecado e é destituído da glória de Deus.
Pacto da Graça: estabelecido logo após a queda, quando Deus mata o cordeiro e veste o homem. Dali em diante ninguém se salva pelas suas obras, pois o pacto das obras foi quebrado. Essa aliança salvífica vai se progredindo e se revelando no decorrer dos tempos: Éden (o nascido da mulher esmagará a cabeça da serpente), Noé (não haverá nova destruição pela água), Abraão (o descendente prometido viria de Abraão), Israel (o messias prefigurado nos sacrifícios), Davi (o messias viria da linhagem de Davi).
A Unidade do Povo de Deus
Deus sempre teve um povo eleito. No Antigo Testamento esse povo eleito estava em sua grande maioria em Israel. No Novo Testamento, em sua grande maioria está entre os povos gentios espalhados pelo mundo e também em Israel. Não há distinção étnica: ‘Não há judeu nem grego… porque todos vós sois um em Cristo Jesus’ (Gl 3:28).
O Pai, o Filho e o Espírito Santo — a Trindade
Em Jesus Cristo, Deus se revela como uma Trindade de pessoas, tornando o cristianismo singular entre as religiões monoteístas do mundo. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são completa e igualmente Deus em si mesmos. Eles compartilham de uma natureza divina comum, e é inadequado afirmar que se conhece uma das pessoas sem conhecer todas as três. É por amar o Filho que o Pai lhe deu toda a autoridade no céu e na terra. É por amar o Pai que o Filho se deu voluntariamente em sacrifício por nós. É por amar tanto o Pai como o Filho que o Espírito Santo vem ao mundo, não primariamente para falar de si mesmo, mas para dar testemunho dEles e trazer-nos à vida comum deles.
No Antigo Testamento, Deus fala na pessoa do Pai
No Antigo Testamento, Deus fala como uma única pessoa, a quem o Novo Testamento identifica com o Pai de Jesus Cristo. O Pai é Aquele cuja vontade Jesus (como Filho) veio cumprir e obedecer; é também a pessoa da Divindade que se mantém permanentemente invisível e transcendente. O Filho e o Espírito Santo encontram-se eternamente presentes em Deus e participam plenamente de todos os seus atos, especialmente na grande obra de criação, havendo muitas referências à pessoa e obra do Messias prometido, bem como à obra do Espírito de Deus entre o povo de Israel.
Deus se revelou de maneira plena e final em Jesus Cristo
Deus falou plena e finalmente em Jesus Cristo, que cumpriu a aliança feita com todos os eleitos de Deus. Ele é tanto o profeta como a Palavra, tanto o sacerdote como o sacrifício, tanto o rei como o reino. Nenhuma revelação adicional de Deus é necessária porque Jesus é, Ele mesmo, Deus em carne humana. Em Jesus Cristo, Deus se revelou como o Filho, que identificou a primeira pessoa como seu Pai e prometeu que, depois de sua partida, enviaria a terceira pessoa, o ‘outro Consolador’, que as Escrituras chamam de Espírito Santo.
Deus se revela em linguagem que podemos compreender
Visto que Deus condescendeu em usar linguagem humana e que a pessoa do Filho se tornou um homem, é possível falarmos sobre Ele em termos humanos. O Novo Testamento não nos dá qualquer encorajamento para fazermos retratos ou estátuas de Jesus como auxílios à adoração. Nenhuma figura ou retrato dramático de Jesus possui qualquer autoridade em si mesmo, e tais coisas nunca devem se tornar objetos de veneração ou adoração, embora possam ser úteis em outras formas.
Capítulo 2 — O Mal e o Pecado
A origem do mal
Deus fez todo o universo muito bom. E mesmo com a presença do mal nesse universo, a sua santidade não é comprometida pela existência dele. O mal originou-se com a rebelião de Satanás e de alguns anjos — o orgulho estava na raiz da sua queda. Os anjos caídos são denominados de demônios e são liderados por Satanás. Eles se opõem à obra de Deus e tentam frustrar os propósitos divinos. Apesar disso, Deus continua soberano sobre os poderes do mal. Se o mal ainda opera, é por permissão de Deus, e Ele já determinou o fim para Satanás e os demônios.
O mal e a humanidade
O mal intrometeu-se na vida humana por meio do pecado dos primeiros seres humanos no Jardim do Éden. Adão é o ancestral de toda a raça humana e por isso todo ser humano sofre as consequências do seu pecado, que incluem o mundo desordenado e a morte física. Ao se usar aquilo que é bom por razões erradas, o caos, a tensão e o sofrimento surgiram no meio da sociedade humana.
Os efeitos do pecado na vida humana
Os seres humanos conjugam forças com agentes sobrenaturais que têm produzido males tão terríveis como o genocídio, o abuso de poder, as guerras mundiais, vários tipos de terrorismo, homicídio psicopata, tráfico humano, abuso de drogas e violência de toda espécie. Essas formas ultrajantes do mal são difundidas e orquestradas por forças demoníacas. O mal não visa apenas à destruição da criação e da imagem de Deus nos descendentes de Adão e Eva, mas também à supressão da igreja e da verdade de Deus. Embora os demônios não se multipliquem nem possam ser destruídos por humanos, somos chamados a resistir ao mal, à injustiça e à violência enquanto aguardamos e oramos pelo retorno de Jesus Cristo.
A universalidade do pecado e suas consequências
Em Adão todos morreram e a morte se espalhou a todos porque todos pecaram. A raça humana inteira está comprometida com a queda e suas consequências: pecado, alienação, violência, guerra, doenças, sofrimento e morte. Espiritualmente falando, todos os seres humanos estão mortos em delitos e em pecado porque estão em rebelião contra Deus e apartados de suas bênçãos. Se Cristo não vivificar o ser humano ele não consegue crer, ter fé ou responder ao chamado de Deus, pois está morto em pecado. A menos que Deus interfira graciosamente, a morte espiritual se converterá em morte eterna.
Capítulo 3 — A Pessoa e a Obra de Cristo
A glória de Cristo
No centro do cristianismo está a pessoa de Jesus Cristo. Sua glória e majestade são de tal ordem que adorá-lo e exaltá-lo é o dever e o desejo de todo crente.
O Filho encarnado de Deus tem uma pessoa divina e duas naturezas
A pessoa divina do Filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade, assumiu natureza humana completa no ventre da virgem Maria e nasceu como o homem Jesus de Nazaré. Ele agora tem duas naturezas, uma divina e outra humana, que permanecem íntegras e distintas em si mesmas, mas são ao mesmo tempo unidas na sua divina pessoa e por meio dela. Uma vez que a sua natureza divina não pode sofrer nem morrer, o Filho adquiriu a natureza humana para poder pagar o preço do pecado humano e nos reconciliar com Deus.
O Filho encarnado de Deus é um ser humano de verdade
Como o encarnado Jesus de Nazaré, o Filho de Deus tornou-se ser humano de verdade. Ele possuía mente e vontade humanas e constituição psicológica normal, conservando ao mesmo tempo sua natureza divina. Ele foi tentado da mesma maneira que qualquer outro ser humano, mas não caiu em pecado.
O Filho encarnado foi perfeitamente capaz de nos reconciliar com seu Pai
O homem Jesus Cristo pôde assumir nosso lugar na cruz e pagar o preço do nosso pecado não por causa de qualquer superioridade natural, mas porque era perfeitamente obediente a seu Pai e, portanto, sem pecado nenhum. Fazendo-se pecado por nós, Ele pôde cancelar nossa dívida para com Deus. A obra redentora de Cristo assegurou a salvação de todos os que foram escolhidos nEle antes da fundação do mundo.
A natureza da ressurreição e da ascensão do corpo de Cristo
Depois de dois dias na sepultura, Jesus de Nazaré ressurgiu dos mortos com a natureza humana transformada, mas ainda reconhecível. Seu corpo ressurreto era capaz de transcender as leis naturais da física, mas conservava ainda suas propriedades físicas. Na sua ascensão, esse corpo foi ainda transformado no estado celestial que ainda possui e foi elevado até Deus.
Ponto crucial: Os seres humanos serão ressuscitados não como foi Jesus na primeira manhã de Páscoa, mas como Ele é agora, em seu estado de ascensão — corpo glorificado, imortal e perfeito.
Capítulo 4 — A Pessoa e a Obra do Espírito Santo
O Espírito Santo como uma pessoa da Trindade
O Espírito Santo está envolvido na obra da criação e da redenção juntamente com o Pai e o Filho. De modo particular, o encarnado Filho de Deus foi concebido pelo Espírito Santo, ungido com o Espírito Santo e investido de poder pelo Espírito Santo para cumprir seu ministério público na terra.
A obra do Espírito Santo na redenção
O Espírito Santo aplica a obra de redenção do Filho aos crentes individuais e os une a Cristo, sua cabeça, e uns aos outros. É o agente da adoção dos crentes na família de Deus e lhes outorga a segurança íntima de que foram escolhidos pelo poder soberano de Deus. Ele socorre, ensina, guia e conduz os crentes em conformidade com a vontade revelada e o caráter de Deus. Ele santifica os crentes produzindo neles os seus frutos e intercede constantemente por eles em oração ao Pai.
O envio do Espírito Santo em Pentecostes
A vinda do Espírito Santo em Pentecostes foi o início de uma nova obra de Deus na vida dos crentes, que levou à fundação da igreja cristã. Os dons revelacionais extraordinários concedidos naquela época eram sinais singulares do início de uma era messiânica e não podem ser automaticamente reivindicados nem exigidos como prova decisiva do poder de Deus em ação hoje. A continuação e os diferentes dons do Espírito Santo devem ser buscados com humildade, em conformidade com a sua vontade e para glorificar a Deus no serviço pelo bem comum da igreja.
O Espírito Santo e o reavivamento espiritual
O poder do Espírito Santo continua a se manifestar de formas especiais em tempos de reavivamento espiritual, que ocorrem periodicamente na vida da igreja. Esses períodos de despertamento e renovação espiritual promovem a expansão do reino de Deus tornando as pessoas mais conscientes da sua pecaminosidade, fazendo-as se voltar para Deus de maneira nova e mais profunda. O reavivamento espiritual é especialmente eficaz para trazer o povo de Deus de volta para Ele, mediante a reforma da igreja, que está constantemente em perigo de se desviar. Apesar disso, a obra do Espírito Santo está sempre presente na igreja, e os crentes devem orar fervorosamente pelos seus frutos e seus dons em todas as épocas.
O Espírito Santo e a batalha espiritual
O Espírito Santo combate ativamente Satanás e seus demônios e protege os crentes de seus ataques. O Espírito Santo livra homens e mulheres da opressão e possessão demoníacas e equipa-os com as armas espirituais que necessitam para resistir ao poder do mal. A Bíblia proíbe os crentes de se envolverem com os poderes das trevas e suas obras.
Capítulo 5 — A Obra de Salvação Realizada por Deus
A graça salvífica de Deus
Deus é gracioso e misericordioso. Ele não nos trata como merecemos por causa do nosso pecado, mas nos oferece salvação como um dom gratuito. A salvação é inteiramente pela graça de Deus e não depende de qualquer mérito ou esforço humano. É um presente que recebemos pela fé em Jesus Cristo.
A graça comum de Deus
Deus manifesta graça comum a toda a humanidade, assim como graça especial, pela qual as pessoas entram na salvação. Por essa graça comum, o pecado é refreado, seres humanos pecadores recebem bênçãos de Deus e são capacitados a praticar boas coisas. Essa graça comum proporciona o fundamento para a sociedade humana e possibilita o trabalho nas artes e nas ciências. É o Espírito Santo que torna possível essa obra, de sorte que o progresso cultural e a civilização humana são boas dádivas de Deus, tornadas possíveis a despeito da queda da humanidade no pecado.
A eleição soberana de Deus
Antes da fundação do mundo, Deus escolheu em Cristo um povo para si mesmo. Essa escolha não foi baseada em qualquer previsão de mérito ou fé futura, mas unicamente na vontade soberana de Deus. Os eleitos são chamados, justificados e glorificados por Deus somente porque Ele os amou primeiro.
A expiação vicária de Cristo
Jesus Cristo, ao morrer na cruz, suportou a ira de Deus e pagou o preço pelos pecados de todos os que creriam nEle. Sua morte foi substitutiva: Ele tomou o lugar dos pecadores e recebeu o castigo que era devido a eles. A obra de Cristo na cruz é suficiente para salvar a todos aqueles por quem Ele morreu.
A regeneração pelo Espírito Santo
O Espírito Santo realiza a obra de regeneração no coração dos eleitos. Essa obra é sobrenatural e transformadora, concedendo nova vida espiritual àqueles que estavam mortos em seus delitos e pecados. Sem essa obra do Espírito, ninguém pode ver ou entrar no reino de Deus.
A fé como instrumento da salvação
A fé é o meio pelo qual os pecadores recebem o dom da salvação. Não é uma obra meritória, mas uma confiança total em Jesus Cristo como Salvador e Senhor. A fé é produzida no coração do crente pelo Espírito Santo, que usa a pregação da Palavra para gerar essa resposta de confiança em Cristo.
A justificação pela fé
A justificação é um ato judicial de Deus pelo qual Ele declara justo o pecador que crê em Jesus Cristo. Isso ocorre não por causa de qualquer justiça própria do pecador, mas unicamente pela imputação da justiça perfeita de Cristo. O pecador é justificado somente pela fé, sem as obras da lei. Não há conflito entre o ensinamento de Paulo e o de Tiago quanto à justificação: Paulo refere-se à justificação como perdão e aceitação diante de Deus; Tiago insiste que, se essa justificação for real, ela se manifestará numa vida de obediência.
A adoção como filhos de Deus
Ao serem justificados, os crentes são adotados por Deus como seus filhos. A posição do Senhor Jesus Cristo como eterno Filho incriado de Deus é de natureza única. Apesar disso, Ele não se envergonha de chamar aqueles a quem salvou de irmãos e irmãs. Esses filhos adotivos de Deus são herdeiros da herança que Cristo lhes assegurou — a plena medida das bênçãos de redenção.
Como filhos de Deus, os crentes partilham de todas as bênçãos supridas por Deus para sua família e, pelo testemunho interno do Espírito Santo, reconhecem e se dirigem a Deus como Pai. Os filhos de Deus têm também o privilégio de partilhar dos sofrimentos de Cristo e de sua subsequente glorificação, e recebem o castigo paternal de Deus — confirmação da adoção, não punição: ‘Deus vos trata como filhos; pois que filho há que o pai não corrige?’ (Hb 12:7). As plenas bênçãos da adoção só serão desfrutadas no retorno glorioso de Cristo.
A santificação progressiva
Os crentes, após a conversão, são continuamente transformados à imagem de Cristo por meio da obra do Espírito Santo. Essa santificação é progressiva e envolve a cooperação do crente com Deus, embora dependa inteiramente da graça divina. Durante a vida presente nenhum crente está inteiramente livre do pecado. A disciplina de Deus sobre seus filhos amados também serve para santificá-los. A obra de santificação será completada pelo poder e graça de Deus.
A perseverança dos santos
Os que foram verdadeiramente salvos por Deus perseverarão na fé até o fim. Embora enfrentem tentações e provações, Deus os preserva pela sua graça e poder, garantindo que cheguem à glória celestial. Nenhum dos eleitos será perdido.
A glorificação final
Na consumação de todas as coisas, os crentes serão completamente glorificados, livres de todo pecado e sofrimento. Seus corpos ressuscitarão para a vida eterna, e eles viverão para sempre na presença de Deus. Essa glorificação é a culminação da obra redentora de Deus, que começou com a eleição e foi realizada na morte e ressurreição de Cristo. O espírito é plenamente santificado na morte, reunindo-se ‘aos espíritos dos justos aperfeiçoados’. Na ressurreição, o corpo do crente partilhará dessa perfeição, sendo feito semelhante ao corpo glorioso de Cristo.
Capítulo 6 — A Vida Cristã
Espiritualidade autêntica
A espiritualidade cristã é um processo que dura uma vida inteira de reverência e amor profundos a Deus e se traduz no correto relacionamento com o próximo. Espiritualidade cristã é piedade prática, que leva à transformação à semelhança de Cristo. Não é direcionada para a própria pessoa, nem para a busca de uma força impessoal, nem para o atingimento de estados alterados de consciência. É o crescimento na união da aliança com o Deus Trino e na comunhão sempre crescente com o povo de Deus no mundo.
Logo, alguém que se diz espiritual ou eleito de Deus e não tem frutos e ações que comprovam essa obra regeneradora e salvífica de Cristo, mente e não é de fato luz do mundo e sal da terra — no máximo é iluminado, porém não luz.
Os meios de piedade
O Espírito Santo produz piedade em nós pela aplicação da Palavra de Deus ao nosso coração e mente, ensinando-nos obediência, unindo-nos na comunhão corporativa de todos os crentes, na verdadeira adoração a Deus, no nosso testemunho ao mundo, em provações e sofrimentos, e na confrontação com o mal.
Os resultados da piedade
Os resultados da piedade incluem mente, coração, palavras e ações transformados, consagração e uma vida que progride continuamente à semelhança da imagem de Cristo. A piedade produz ao longo da vida um crescimento em autonegação, um diário ‘tomar a nossa cruz’ e seguir a Cristo mediante a prática do amor, do perdão, da mansidão, da compaixão e da bondade para com todos, especialmente os da família cristã. Envolve a rendição continuada de nós mesmos em devoção total a Deus, experimentando alegria indizível, temor filial, reverência abnegada, amor ardente, compaixão e ousadia com autocontrole, equilibrados com humildade, respeito, temor, contentamento, confiança semelhante à de crianças, obediência, esperança imorredoura e a paz de Deus em face de provações, aflição e dor.
Experiências espirituais
Uma vida espiritual centrada em Deus recebe as experiências espirituais como um dom do Espírito Santo. Na medida em que buscamos nos aproximar do Deus Trino, somos lembrados de que vivemos sempre na sua presença, seja onde for. Assim, somos motivados a cumprir o nosso chamado para sermos instrumentos da sua graça transformadora em qualquer lugar que a sua providência nos tenha colocado. O deleite na nossa união pactual com Deus nesta vida é apenas o antegosto da glória da comunhão com Deus na era por vir.
Capítulo 7 — As Escrituras Sagradas
As Escrituras são inspiradas por Deus
As Escrituras são a Palavra de Deus e são absolutamente confiáveis. Do modo como foram dadas originalmente não têm erro nenhum em tudo quanto afirmam — doutrina denominada de inerrância bíblica. Deus superintendeu a escrita delas de sorte que são precisamente o que Ele pretendia que fossem. Ao escolher usar seres humanos, Deus não neutralizou a humanidade deles nem lhes ditou as Escrituras. Elas exprimem a história pessoal e o estilo literário de cada autor e as características do período em que foram escritas, ao mesmo tempo que continuam a ser em todos os aspectos a Palavra do próprio Deus.
As Escrituras são reconhecidas mediante a obra do Espírito
As Escrituras apresentam-se a nós com muitas qualidades excelentes e louváveis, mas em definitivo nossa persuasão e segurança plenas da sua verdade infalível procedem do Espírito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testemunha em nosso coração. A autoridade das Escrituras não depende da igreja nem de nenhuma outra fonte, senão o próprio Deus.
As Escrituras são compreendidas mediante a operação de Deus
O Espírito Santo e as Escrituras têm uma clareza fundamental, mas somente o crente cristão pode receber e entender seu sentido e significado espirituais, por ter acesso à mente de Cristo. A cegueira espiritual na qual os seres humanos incorreram impossibilitou-os de entenderem as coisas de Deus sem a obra do Espírito Santo.
As Escrituras são aplicadas pelo Espírito Santo
Deus traz para si homens e mulheres pela pregação da sua Palavra. O Espírito Santo usa a pregação, o ensino e o estudo das Escrituras para nos tornar sábios para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Seja pregada ou lida, as Escrituras são proveitosas para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça.
A clareza das Escrituras
A necessidade do estudo erudito da Bíblia em suas línguas originais não solapa a clareza da autoridade divina nem a fidedignidade da Escritura. As verdades necessárias à salvação são expressas com tanta clareza que os leitores, tanto cultos quanto incultos, podem e devem entendê-la. A mensagem da Escritura deve ser exposta à luz das filosofias e opiniões que desafiam e se opõem às suas pressuposições.
As pressuposições que regem a interpretação da Escritura
A Escritura Sagrada é a Palavra de Deus e, portanto, não pode contradizer a si mesma. Nossa leitura, interpretação, entendimento e aplicação dela são influenciados em vários graus e níveis pelas nossas convicções prévias ou pressuposições acerca de Deus e da Bíblia. A fim de entendê-la corretamente, é necessário estar conscientes de nossas pressuposições e examiná-las à luz do texto bíblico, para que possamos reformá-las e levá-las à concordância mais íntima com o sentido do texto em si. Uma vez que as Escrituras reivindicam origem e inspiração divinas, somente os métodos de interpretação que levam a sério tal reivindicação podem chegar ao seu sentido verdadeiro.
Os métodos apropriados de interpretação
A Bíblia é a Palavra de Deus e deve ser lida em humilde submissão e oração pela iluminação do Espírito Santo. Visto que foi escrita em linguagens humanas dentro de contextos culturais, sociais e temporais, seu significado deve ser buscado pelo uso de regras gerais de interpretação e pelo auxílio dos campos relacionados, tais como a arqueologia, a história, a crítica textual e o estudo das línguas originais. Todos esses métodos devem levar em consideração sua origem divina, infalibilidade e caráter humano.
O texto bíblico pode ter muitas aplicações práticas e significações diferentes, mas o seu significado primário é normalmente determinado pelo uso criterioso de princípios históricos, gramaticais e histórico-redentores. Interpretações alegóricas, espirituais e figurativas não têm autoridade, a menos que sejam especificamente aprovadas pelo próprio texto.
A universalidade da verdade e suas aplicações
A verdade de Deus revelada na Escritura é universal, eterna e relevante para todas as culturas, épocas e povos. Nada obstante, pode haver várias e diferentes aplicações dessa verdade. Ao contextualizar a Palavra de Deus, a igreja deve distinguir entre os princípios bíblicos — manifestações eternas e universais da verdade de Deus — e as implicações práticas desses princípios, que podem variar em contextos diferentes.
O padrão normativo pós-bíblico
Uma vez que o cânon do Novo Testamento está finalizado, o padrão normativo tem sido Deus falar conosco nas, e pelas, Sagradas Escrituras com a iluminação do Espírito Santo. Nenhum mestre ou igreja cristã tem o direito de insistir em crenças que não estejam contidas na Escritura, nem podem interpretar nenhuma delas de maneira que contradiga aquilo que Deus revelou de si mesmo em outra parte da Escritura.
Capítulo 8 — A Igreja
Sua natureza
A igreja é tanto a companhia invisível de todos os cristãos (conhecida somente por Deus) como a igreja visível sobre a terra e suas muitas comunidades. A igreja é o Corpo espiritual e sobrenatural de Cristo, o Cabeça da igreja. Cada cristão está unido a Cristo e ligado a todos os outros cristãos por meio de Deus, constituindo assim a igreja. Na vida da única igreja santa, apostólica, a adoração a Deus, a comunhão com Deus e com os santos, as Sagradas Escrituras, as doutrinas e a missão são centrais.
Os ministérios da Igreja
A Escritura faz referência a alguns dons ministeriais que Deus concedeu à igreja em diferentes épocas: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Hoje, em cada Aviva Church local devem haver os seguintes cargos ministeriais: Obreiros(as), Diáconos(as), Missionários(as) e Pastores(as).
Obreiros: prontamente dispostos ao serviço necessário para zelar da casa do Senhor — este cargo está ligado ao serviço e trabalho prático da igreja.
Diáconos: cuidade dos pobres e necessitados e providenciam o suprimento das necessidades práticas e estruturais da igreja.
Missionários: ligados à ministração e ensino da Palavra, auxiliando de perto os pastores. São equivalentes aos evangelistas (mantendo esta nomenclatura para facilitar o uso feminino do termo).
Pastores: chamados por Deus para liderar o rebanho do Senhor, nunca deixando de meditar na Palavra e sempre em oração — este é um ofício espiritual que exige qualidades espirituais.
A adoração a Deus
A responsabilidade primária da igreja é a adoração a Deus. A natureza e o conteúdo dessa adoração são determinados pelo próprio Deus, conforme revelados na Escritura. A adoração deve incluir o cântico de louvor a Deus, a leitura e a pregação da Escritura e a oração. Em nossas reuniões normalmente iniciamos com dois louvores de júbilo, seguidos pela leitura de uma palavra inicial e uma breve explanação (5 min), concluindo com oração. Em seguida dois louvores de adoração, apresentação de visitantes, ofertório e devolução dos dízimos (sem apelação emocional); as crianças menores de 10 anos são convidadas ao Kids; vem então a ministração da Palavra (40-60 min) — a mensagem deve ser escriturística, com propósito e revelada por Deus (evitando mensagens de autoajuda vazias); ao final, apelo para não crentes e cristãos em busca de mais intimidade. Os avisos da semana encerram a Experiência Aviva.
A autonomia e unidade da congregação
Cada congregação de crentes tem certo grau de autonomia sob a regência dos pastores, mas há também uma unidade mais ampla com todas as outras congregações. Essa conexão foi expressa de diferentes modos, em diferentes épocas e em diferentes partes da igreja. A unidade visível do corpo de Cristo deve ser cultivada e preservada sem comprometer princípios teológicos fundamentais.
Capítulo 9 — A Tradição
A existência e validade das tradições apostólicas
Toda igreja cristã vive de acordo com a regra de fé herdada da era apostólica. As Sagradas Escrituras são a única forma autêntica e normativa dessa regra, pela qual todas as demais crenças e práticas devem ser medidas. É indubitável que as igrejas apostólicas tinham costumes que não estão registrados na Escritura, todavia essas tradições não são obrigatórias às gerações posteriores de cristãos.
A autoridade dos credos e das confissões
No curso da sua história, a igreja tem adotado credos e confissões de fé com a finalidade de esclarecer o ensinamento da Escritura. Esses documentos desfrutam da autoridade possuída por aqueles que os adotaram e devem ser respeitados pelas gerações posteriores. No entanto, eles não são infalíveis e onde for possível provar que estão em desacordo com o ensinamento da Escritura, a igreja tem a liberdade de alterá-los.
Esta Confissão em si não tem valor doutrinário equiparado à Bíblia Sagrada, que é inerrante e Palavra de Deus. A função desta Confissão é elucidar temas teológicos e ajudar na compreensão de pontos das Escrituras.
A reação dos reformadores às tradições herdadas
Os reformadores do século 16 empreenderam uma avaliação completa das tradições da igreja e abandonaram aquelas crenças e práticas claramente contrárias ao ensino espiritual. Um exemplo é a comemoração do Natal em 25 de dezembro, que não tem fundamento bíblico específico mas testifica da doutrina do Novo Testamento acerca da encarnação de Cristo. Tradições desse tipo podem ser preservadas, modificadas ou descartadas a critério da igreja local, desde que não comprometam nenhuma doutrina bíblica.
Modelos de culto e tradições em diferentes culturas
Cada igreja desenvolveu padrões de culto e de governo que ao longo do tempo se converteram em tradições locais. Até onde essas práticas não forem contrárias ao ensinamento da Escritura e continuarem a cumprir a tarefa para a qual foram imaginadas, não há razão para não serem preservadas. As igrejas que surgiram da atividade missionária estrangeira têm a responsabilidade de examinar o fundamento bíblico dos costumes transplantados e devem ser motivadas a modificá-los, se essa mudança puder tornar o testemunho do evangelho mais eficaz.
A preservação apropriada de certas tradições
Algumas tradições tornaram-se tão profundamente arraigadas e universais no mundo cristão que alterá-las poderia levar a divisões desnecessárias no seio da igreja. Um exemplo é o costume de adorar a Deus no domingo que, embora claramente praticado na igreja primitiva, não é especificamente ordenado no Novo Testamento como doutrina. Nenhuma igreja deve abandonar o culto aos domingos só porque não é requerido especificamente pela Escritura. A unidade visível do mundo cristão deve ser mantida, se com isso não se comprometer nenhum princípio teológico.
Capítulo 10 — Missão e Evangelismo
Nosso chamado para sermos testemunhas de Deus
Nossa missão no mundo decorre da nossa paixão pela glória de Deus, desejo por um avivamento real que possa impactar vidas e gerações diferentes e de nossa certeza da vinda do seu reino a cada oração e encontro. A church, como comunidade de Cristo, é o instrumento de Deus para o evangelismo, que é a pregação e o partilhar do evangelho de Jesus Cristo, por meio de palavras e obras, segundo o qual Cristo morreu pelos nossos pecados e foi ressuscitado dos mortos conforme as Escrituras.
Em obediência à comissão do nosso Deus, temos de oferecer duas mãos a todas as pessoas: (1) a mão que as chama ao arrependimento, fé e reconciliação eterna com Deus por meio de Cristo (pregação da palavra), e (2) a mão que manifesta ações de misericórdia e compaixão (departamento de ação social presente em cada Aviva Church local).
O meio principal de evangelismo das igrejas Aviva
O meio principal de evangelismo são as Células Aviva — reuniões semanais nas casas com louvores, ministração da palavra e momento de comunhão (60-90 min). Outra estratégia é o Lar Avivado — uma célula mais rápida (40-50 min) com duração de 6 semanas, usada para famílias não cristãs que não aceitariam inicialmente uma célula fixa. Na sétima semana a família é convidada à igreja para receber o Certificado de Lar Avivado.
A ampliação do chamado à missão
Nossa proclamação do evangelho tem consequências sociais, uma vez que chamamos pessoas ao amor e ao arrependimento em todas as áreas da vida. De modo semelhante, nosso envolvimento social tem consequências evangelistas à medida que testemunhamos da graça transformadora de Jesus Cristo.
A compaixão dos cristãos pelo mundo
Reiteramos a grande necessidade de os cristãos se revestirem de compaixão em nome de Cristo, em meio de pobreza, enfermidades, injustiças e todas as formas da miséria humana. Uma igreja que sente empatia pelas pessoas e que sente a dor de cada um fazendo o possível para ajudar é uma igreja marcante, pois mostramos que nossa prioridade não são números ou cifrões, mas sim almas a serem transformadas por Cristo.
A transformação da comunidade humana
Entendemos que a transformação da comunidade humana seja a reversão completa, na totalidade da vida e da Terra, dos efeitos do pecado. A intenção de Deus é que todos os seus filhos sejam plenos portadores da sua imagem. Tal tarefa começa nesta vida, mas só será completada quando Cristo retornar em glória no fim dos tempos.
Capítulo 11 — Lei e Ética
A lei natural
A lei de Deus é a expressão do seu amor e revela as suas exigências de justiça para a raça humana. Foi escrita no coração dos seres humanos na criação e, apesar da queda no pecado, os seres humanos, mediante a própria consciência, ainda têm certo conhecimento de suas exigências. No Éden, Deus também revelou sua vontade aos seres humanos de modo verbal na ordem para que não comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal.
A lei de Moisés
A lei mosaica continha elementos cerimoniais que prefiguravam a pessoa e a obra de Cristo e a vida de sua igreja, os quais estão agora plenamente cumpridos. A lei também continha elementos jurídicos que moldavam a vida civil de Israel. Os elementos morais da lei continuam a fornecer o modelo de uma vida piedosa. A lei de Deus mostra aos pecadores o seu pecado e aponta-lhes Cristo como único Salvador.
Cristo como o cumprimento da lei
Cristo cumpriu as exigências da lei, fazendo-se maldição em favor do seu povo escolhido. Aqueles que foram trazidos à fé em Cristo expressam seu amor pelo Senhor na obediência aos seus mandamentos segundo a capacitação do Espírito Santo.
Ética matrimonial e sexual
O casamento como monogamia heterossexual foi instituído por Deus, com o marido e a mulher deixando suas próprias famílias e unindo-se um ao outro num relacionamento para toda a vida. Os desejos sexuais devem ser satisfeitos dentro dessa união, e os filhos nascidos nela devem ser cuidados e nutridos no conhecimento e na prática cristãs.
Em razão da pecaminosidade humana, ocorrem desvios desse padrão. A Bíblia desautoriza os relacionamentos sexuais fora dos laços do casamento, bem como as uniões de mesmo sexo. A dissolução do casamento pelo divórcio é permitida em caso de adultério ou se os incrédulos abandonarem irreversivelmente seus cônjuges cristãos; porém o repúdio e uma nova união em sequência são reprovados pelas Escrituras Sagradas.
O homem é descrito na Escritura como o ‘cabeça’ da mulher, assim como Cristo é o ‘cabeça’ do homem e Deus o ‘cabeça’ de Cristo. A autoridade na família e na igreja é demonstrada amando-as como Cristo amou a igreja.
Planejamento familiar
O planejamento familiar é aceitável. Contudo, a contracepção por meios como a ingestão de pílula após a concepção ou pelo aborto do feto é realmente a destruição de uma nova vida. Quanto aos casais que enfrentam dificuldade para conceberem, a fertilização in vitro (FIV) é uma opção possível, embora o uso de doadores de sêmen ou de mães de aluguel não o seja, pois essas práticas intrometem-se na relação conjugal. Experimentos com embriões humanos constituem destruição de vida humana. Embora a clonagem de humanos seja tecnologicamente possível, nem a clonagem reprodutiva nem a terapêutica se ajustam ao modelo bíblico no qual o sexo e a procriação fazem parte da relação pactual do casamento. A vida e a capacidade de gerar filhos têm de ser vistas como dons de Deus, os quais são soberanamente concedidos.
A prolongação da vida
O corpo humano está sujeito a várias doenças e a medicina moderna tem a capacidade de socorrê-lo com os tratamentos, as operações e os remédios apropriados. Os transplantes de órgãos são extensões legítimas dessas intervenções médicas para curar doenças ou prolongar a vida.
A terminação da vida
Da mesma maneira que a criação de uma nova pessoa é ato de Deus, assim também é Ele quem determina o fim da vida de uma pessoa. Tanto a origem como o término da vida estão sob Seu controle soberano.
No contexto no qual estamos inseridos (Europa), temos conhecimento de casos graves de depressão onde algumas pessoas, num ato de desespero, procuram a eutanásia. Nos posicionamos contra tal prática, pois não há estágio de depressão ou angústia que Cristo não possa intervir.
Embora remédios possam ser usados para aliviar a dor, não devem ser usados para pôr termo à vida humana, nem para causar prazer individual ou induzir estados extrassensoriais. Embora a tecnologia moderna permita que alguém seja mantido vivo artificialmente mesmo sem atividade cerebral, nesse caso desligar tais equipamentos não é necessariamente errado — pois prolongar artificialmente a existência biológica não equivale a preservar a vida.
Capítulo 12 — Escatologia
O plano eterno de Deus
Desde o exato princípio do tempo havia uma promessa de completude no final do período probatório de Adão, o descanso do Sábado de Deus, e a promessa de vida eterna procedente da árvore da vida. Tudo isso antecipava a intenção de Deus de aperfeiçoar aquilo que Ele tinha feito muito bom. Paulo via a ressurreição (ou recriação) do último Adão como o cumprimento da criação do primeiro Adão antes da Queda. A história da redenção culminou na vida e morte do Salvador, na conquista da salvação para as nações e na recriação escatológica do céu e da terra. No tempo presente, aqueles que estão unidos a Cristo já sentiram o poder do mundo porvir pelo Espírito que vive neles.
Nossa posição escatológica
A Aviva Church entende ser mais coerente com as Escrituras e com a patrística o: Aliancismo Progressivo, Pós-tribulacionismo, Amilenismo e interpretação do Apocalipse de forma Cíclica (não cronológica), como interpretava Vitorino de Pétovio, um dos pais da igreja (séc. III).
O resumo de toda a escatologia, apesar de várias interpretações — embora tenhamos a nossa — é: Viva hoje como se Cristo voltasse hoje.
Durante 18-19 séculos, a igreja num todo (incluindo os discípulos diretos dos apóstolos, os pais da igreja e documentos como Didaquê, Justino Mártir, Irineu de Lyon, Hipólito de Roma, Efrém o Sírio) — nenhum desses acreditava que Jesus voltaria antes da grande tribulação. Ninguém até o século 18 pregou uma doutrina de duas ou três voltas de Cristo em fases ou etapas.
O estado intermediário — após a morte
Imediatamente após a morte, as almas dos seres humanos voltam para Deus, ao passo que seus corpos são destruídos (Ec 12:7). Eles não caem num estado de sono.
Salvos: As almas dos salvos entram num estado de perfeita santidade e alegria na presença de Deus e reinam com Cristo enquanto esperam a ressurreição (2 Co 5:8; Lc 16:19-31; Ap 6:9; Lc 23:43). Elas não têm nenhum poder para interceder pelos vivos nem se tornam mediadoras entre eles e Deus (1 Tm 2:5).
Perdidos: As almas dos perdidos não são destruídas após a morte, mas entram num estado de sofrimentos e de trevas, lançadas fora da presença de Deus, enquanto aguardam o dia do juízo. Após a morte, nem as almas dos salvos nem as dos perdidos podem retornar à terra dos vivos. Todas as experiências atribuídas à ação de almas desencarnadas têm de ser imputadas ou à imaginação humana ou à ação de demônios.
A segunda vinda de Cristo
A ressurreição de Cristo, seguida do envio do Espírito Santo, inaugurou uma nova era — os ‘últimos dias’. Um dia Cristo voltará a este mundo de maneira visível, no corpo glorioso da sua ressurreição, de maneira que todo o mundo o verá. Ele virá em poder, com os santos e seus anjos, para trazer salvação aos seus e julgar todos os ímpios.
A ressurreição dos mortos
Os mortos que pertencem a Cristo serão ressurretos pelo seu poder, com corpo semelhante ao dele e apropriado para o estado eterno de comunhão com Deus e gozo perpétuo. Quanto aos perdidos, eles também serão ressuscitados, mas para o juízo e o castigo eterno.
O juízo final
Cristo retornará a este mundo como seu juiz. Ele julgará os vivos e os mortos e não mostrará nenhum favoritismo nem parcialidade. Os eleitos serão declarados justificados por conta da morte e ressurreição de Cristo em favor deles. Os ímpios serão condenados justamente por causa de seus pecados e lançados fora da sua presença, juntamente com Satanás e os demônios.
O milênio
O intervalo entre a exaltação de Cristo e a sua segunda vinda — o tempo presente em que o evangelho e suas bênçãos são dadas a conhecer às nações — tem sido reconhecido pela maioria das igrejas como o milênio referido nas Escrituras. Satanás não pode parar o avanço da church e a pregação do evangelho. Cristo já reina; não há um pré-reino ainda vindouro.
A nova criação
Após a volta de Cristo, Deus recriará o universo físico, e seu povo ressurreto, investido de imortalidade e perfeição, viverá sob o governo de Cristo neste novo céu e nova terra para sempre.
Humildade nas questões escatológicas
Os cristãos concordam acerca dos eventos principais que constituem as últimas coisas, mas nem sempre a respeito de sua consequência e natureza. As questões escatológicas devem ser discutidas com humildade, lembrando-nos que foi somente quase sempre depois que as profecias se cumpriram que o povo de Deus as entendeu plenamente. A Aviva Church mantém suas posições com convicção bíblica e histórica, mas reconhece que há espaço para diálogo respeitoso entre irmãos que amam as Escrituras.
Capítulo 13 — Doutrinas Teológicas e Sistemáticas
Este capítulo é exclusivo da Aviva Church e não possui equivalente na Declaração de Maryland. Ele mapeia o posicionamento teológico da igreja em três categorias: doutrinas adotadas como convicção própria, doutrinas aceitas com diálogo, e doutrinas rejeitadas por incompatibilidade com as Escrituras.
Posição adotada pela Igreja
A Aviva Church segue, por entendimento bíblico, que as doutrinas em que a cosmovisão da church está inserida são: as Doutrinas da Graça (TULIP), o Aliancismo Progressivo, o Amilenismo e o Pós-tribulacionismo.
a) Doutrinas da Graça — TULIP T — Depravação Total: O ser humano, após a queda, é totalmente incapaz de buscar a Deus por conta própria. Não se trata de ser o pior possível, mas de que cada faculdade humana (mente, vontade, emoções) foi contaminada pelo pecado. A salvação deve partir inteiramente de Deus.
U — Eleição Incondicional: Deus escolheu seu povo antes da fundação do mundo não com base em qualquer mérito ou fé prevista no eleito, mas unicamente pela sua graça soberana e vontade livre (Ef 1:4-5; Rm 9:11).
L — Expiação Limitada (Particular / Definida): Cristo morreu de forma especial e garantida pelos eleitos — aqueles que o Pai lhe deu. Isso não diminui o valor infinito do sacrifício de Cristo, mas afirma a eficácia e o propósito definido de sua morte (Jo 10:11,15; 17:9). I — Graça Irresistível: Quando Deus decide regenerar uma pessoa, sua graça é eficaz — o eleito não resiste definitivamente ao chamado de Deus. O Espírito transforma o coração fazendo o eleito querer vir a Cristo (Jo 6:37,44; Fp 1:29).
P — Perseverança dos Santos: Os verdadeiramente salvos perseverarão na fé até o fim. Não porque sejam fortes, mas porque Deus os guarda. Nenhum eleito se perderá (Jo 10:28-29; Rm 8:38-39).
b) Aliancismo Progressivo Base hermenêutica para a interpretação das Escrituras que lê a Bíblia como uma narrativa progressiva e unificada de aliança. Entende que o Antigo Testamento é cumprido e reinterpretado pelo Novo Testamento — não simplesmente repetido. Israel e Igreja partilham de uma única aliança redentora, progressivamente revelada. As profecias do AT encontram seu cumprimento definitivo em Cristo e na Igreja, não num Israel étnico futuro.
c) Amilenismo Doutrina que entende que o milênio referido em Apocalipse 20 não é um período literal de 1.000 anos no futuro, mas descreve o reino espiritual de Cristo que se iniciou com sua ascensão e continua até sua segunda vinda. Cristo já reina agora, os santos que morreram já reinam com Ele no estado intermediário. O ‘milênio’ representa todo o período da Igreja — a era presente.
d) Pós-tribulacionismo Doutrina que ensina que a Igreja de Cristo passará pela grande tribulação. A segunda vinda de Cristo é um evento único — não há arrebatamento secreto prévio. Cristo volta uma vez, de forma visível e gloriosa, após a tribulação (Mt 24:29-31; 2 Ts 2:1-4). Esta é a posição dos primeiros pais da Igreja e não foi contestada até o século XIX.
Doutrinas aceitas com diálogo
A Aviva Church entende que existem outras doutrinas que, embora diferentes das nossas convicções, não ferem os valores bíblicos essenciais acerca da fé, da church e de Deus. Há espaço para comunhão com irmãos que professam: Doutrina Arminiana — FACTS: O Arminianismo, em sua forma clássica e evangélica, afirma que Deus elegeu os que Ele previu que creriam (Eleição Condicional), que Cristo morreu por todos os seres humanos sem exceção (Expiação Universal), que o Espírito Santo chama todos os pecadores mas pode ser resistido (Graça Resistível), e que os salvos podem, em princípio, perder a salvação (Segurança Condicional). O acrônimo FACTS (Foregone, Atonement, Calling, Total depravity, Security) representa sua versão reformulada. Cremos que nossos irmãos arminianos evangelicais amam a Cristo e as Escrituras, mesmo discordando de nossas conclusões soberanas.
Pré-tribulacionismo: Doutrina que ensina que Cristo voltará secretamente para arrebatar a Igreja antes da grande tribulação, preservando-a do período de julgamento. Popularizada por John Nelson Darby no século XIX. Embora não encontremos base histórica ou exegética sólida para esta posição, reconhecemos irmãos que a professam de boa-fé com amor às Escrituras.
Pré-milenismo Histórico: Posição que crê em uma segunda vinda de Cristo após a grande tribulação, seguida de um reino literal de 1.000 anos na terra antes do juízo final. É diferente do Dispensacionalismo — não divide Israel e Igreja de forma radical. Padres como Ireneu de Lyon defenderam formas desta visão. Há diálogo possível neste ponto.
Aliancismo Clássico: Abordagem hermenêutica que vê uma única aliança da graça desde o Éden, com Israel sendo o povo do Antigo Testamento e a Igreja o do Novo, sem necessariamente afirmar a continuidade estrutural que o Aliancismo Progressivo propõe. É a posição histórica do Presbiterianismo e do Presbiterianismo Reformado.
Dispensacionalismo Progressivo ou Revisado: Forma moderada do Dispensacionalismo clássico que aproxima Israel e Igreja mais do que a versão tradicional (Scofield/Chafer), reconhecendo um cumprimento espiritual já presente das promessas a Israel em Cristo. Embora ainda mantenha uma distinção, o diálogo com esta posição é mais viável que com o Dispensacionalismo clássico.
Doutrinas rejeitadas
A Aviva Church não apoia, não ensina e não aceita doutrinas que ferem as bases bíblicas da nossa fé ou têm por norma deturpar o que o evangelho ensina. Qualquer pessoa que adere a estas ideologias é convidada a abandoná-las e converter-se à plena verdade de Cristo. As doutrinas a seguir estão listadas com uma explicação do que ensinam, para que possam ser reconhecidas e evitadas:
1. Teologia da Prosperidade: Ensina que a fé cristã deve necessariamente produzir saúde física, riqueza financeira e sucesso material. Frases como ‘declaro e decreto’, ‘confessar é possuir’ e ‘você está amaldiçoado porque não dá mais dízimo’ são marcas desta teologia. Ela distorce o evangelho reduzindo Deus a um servidor das ambições humanas e transforma a fé em uma fórmula mágica. A prosperidade material pode ser bênção de Deus, mas nunca é garantida como direito do crente, e o sofrimento é parte legítima e formadora da vida cristã (Fp 4:11-12; 2 Co 11:23-27).
2. Liberalismo Teológico: Movimento que surgiu no século XIX e busca adaptar o cristianismo às categorias do pensamento científico e filosófico moderno. Tipicamente, nega ou reinterpreta eventos sobrenaturais como a virgindade de Maria, a ressurreição corporal de Cristo e os milagres bíblicos. Trata a Bíblia como um documento humano sujeito a erros e contradições. O resultado é um ‘cristianismo’ sem Cristo histórico, sem pecado real e sem redenção objetiva — uma religião esvaziada de sua essência.
3. Pós-milenismo: Doutrina que ensina que a Igreja, por meio da pregação do evangelho e ação social, gradualmente transformará o mundo num estado de paz e justiça, após o qual Cristo retornará. Em outras palavras, o milênio precede a volta de Cristo e é construído pelos esforços da Igreja. Esta visão confunde o Reino de Deus com o progresso histórico e desconsidera os avisos claros de Cristo sobre tribulação e apostasia precedendo sua volta (Mt 24:12,21; 2 Ts 2:3).
4. Preterismo: Doutrina que ensina que as principais profecias bíblicas — incluindo as de Apocalipse, Mateus 24 e 2 Tessalonicenses 2 — já se cumpriram integralmente no ano 70 d.C., na destruição de Jerusalém. O Preterismo Total nega uma segunda vinda literal de Cristo no futuro. O Preterismo Parcial admite um retorno futuro mas esvazia a maior parte da profecia escatológica. Esta posição desrespeita partes significativas do cânon bíblico e nega a esperança literal da segunda vinda de Cristo.
5. Arianismo e Macedonismo: O Arianismo, condenado no Concílio de Niceia (325 d.C.), ensina que o Filho de Deus é uma criatura — o ser mais elevado criado por Deus, mas não eterno nem consubstancial ao Pai. O lema ariano era ‘houve quando Ele não era’. Esta heresia está presente hoje nas Testemunhas de Jeová e em algumas correntes oneness. O Macedonismo (séc. IV) negava a divindade do Espírito Santo, tratando-o como força ou criatura. Ambas as heresias destroem a doutrina da Trindade e com ela toda a teologia da redenção.
6. Novacionismo: Movimento do século III liderado por Novaciano em Roma que ensinava um rigorismo moral extremo: cristãos que apostatassem ou negassem a fé sob perseguição nunca poderiam ser restaurados à communhão da Igreja. Esta posição nega a suficiência do arrependimento e da graça restauradora de Deus, cria uma ecclesiologia elitista e contraria a parábola do filho pródigo e o próprio exemplo de Pedro restaurado por Cristo após sua negação.
7. Maniqueísmo: Filosofia religiosa do século III fundada por Mani que propunha um dualismo cósmico radical: o bem (luz, espírito) e o mal (trevas, matéria) seriam forças eternas e iguais em conflito. Nesta visão, Deus e Satanás lutam em pé de igualdade, a matéria e o corpo físico são essencialmente malignos, e a salvação seria libertar o espírito da prisão corporal. Esta visão é incompatível com a boa criação de Deus, com a encarnação de Cristo e com a ressurreição corporal.
8. Docetismo: Uma das heresias mais antigas, o Docetismo (do grego dokein, ‘parecer’) ensina que Jesus Cristo não tinha um corpo físico real — Ele apenas parecia ser humano. Sua encarnação, sofrimento e morte seriam aparências, não realidade corporal. Esta heresia, combatida por João (1 Jo 4:2; 2 Jo 7) e pelos pais apostólicos, destrói o fundamento da expiação: Cristo precisava ter um corpo humano real para morrer em lugar dos pecadores.
9. Pelagianismo: Ensinamento de Pelággio (séc. IV-V) que negava o pecado original como condição transmitida hereditariamente e afirmava que o ser humano tem livre-arbítrio pleno e intacto para escolher o bem e alcançar a salvação por seus próprios esforços. A graça de Deus seria apenas uma ajuda externa — não necessária, mas conveniente. Agostinho combateu vigorosamente este ensinamento. O Pelagianismo torna a cruz desnecessária e glorifica a vontade humana em detrimento da graça divina.
10. Semi-Pelagianismo: Posição intermediária entre Pelággio e Agostinho que ensina que o ser humano, por sua própria iniciativa, começa a se mover em direção a Deus, e Deus então coopera completando a obra. Em outras palavras, a vontade humana dá o primeiro passo e a graça divina colabora. Embora mais sutil que o Pelagianismo puro, esta posição ainda coloca o mérito inicial da salvação no ser humano, negando a depravação total e a graça irresistível.
11. Gnosticismo: Sistema religioso do século I-II que combinava elementos cristãos, judeus e gregos com especulações filosóficas. Os gnósticos ensinavam que o verdadeiro Deus é totalmente transcendente e distante, que o mundo material foi criado por um deus inferior (o Demiurgo, frequentemente identificado com o Deus do AT), e que a salvação se dá pelo gnosis — conhecimento secreto e espiritual que eleva o iniciado acima dos demais. O Gnosticismo moderno ressurge em movimentos de ‘despertar espiritual’, esoterismo cristão e no ensino de que o homem pode ‘tornar-se Deus’ pelo conhecimento interior.
Conselho Eclesial Aviva Church · Versão 2.0 · 2024
Confissão de fé baseada na Declaração de Fé da Fraternidade Reformada Mundial (Maryland, EUA, 2011) com
expansões próprias da identidade doutrinária da Aviva Church.
