Aviva ChurchPOST TENEBRAS LUX

Teologia Reformada e Carismática

O que é continuísmo e cessacionismo?

Entenda continuísmo e cessacionismo, quais dons estão em debate, os principais textos bíblicos e o que cada posição afirma sobre profecia, línguas, curas e milagres.

Textos principais:

  • Joel 2:28–32
  • Atos 2
  • 1 Coríntios 12
  • 1 Coríntios 13
  • 1 Coríntios 14
  • Efésios 2:20
  • Efésios 4:7–16
  • 1 Tessalonicenses 5:19–22
  • Hebreus 2:3–4
  • 2 Coríntios 12:12
  • Tiago 5:14–18

Quando cristãos discutem se os dons espirituais continuam hoje, a conversa frequentemente começa do lugar errado.

De um lado, alguém diz:

“Cessacionistas não acreditam no poder de Deus.”

Do outro:

“Continuístas querem acrescentar novas revelações à Bíblia.”

As duas afirmações são caricaturas.

A verdadeira discussão é muito mais específica.

Continuísmo e cessacionismo são posições diferentes sobre a continuidade de determinados dons espirituais, especialmente profecia, línguas, interpretação de línguas, curas e operações de milagres, e sobre a relação desses dons com a revelação, a autoridade apostólica e a edificação da igreja.

Na Aviva Church, somos continuístas.

Isso significa que entendemos que o Novo Testamento não ensina que esses dons foram retirados da igreja com o fim da era apostólica.

Mas nossa posição não é:

“Tudo que alguém chama de sobrenatural vem de Deus.”

Muito menos:

“Qualquer pessoa que disser ‘Deus me revelou’ deve ser obedecida.”

Pelo contrário.

Se os dons continuam, então também continuam as regras bíblicas para examiná-los.

É possível desejar os dons e exigir discernimento.

É possível crer em profecia e rejeitar manipulação espiritual.

É possível orar por cura e não fabricar testemunhos.

É possível esperar a atuação extraordinária do Espírito e, ao mesmo tempo, manter a Bíblia como autoridade final.

É exatamente aí que começa a discussão.

O que é continuísmo?

Continuísmo é a posição segundo a qual determinados dons espirituais descritos no Novo Testamento não foram retirados da vida da igreja como categoria ao término da era apostólica.

Isso inclui, em diferentes formulações:

  • profecia;
  • línguas;
  • interpretação de línguas;
  • dons de curas;
  • operações de milagres;
  • discernimento de espíritos;
  • outros dons considerados extraordinários.

O continuísmo não exige afirmar que todas as igrejas possuirão todos os dons, que eles aparecerão com a mesma intensidade em todas as épocas ou que todo cristão falará em línguas.

Também não exige acreditar que existam hoje apóstolos com a mesma autoridade de Paulo ou dos Doze.

E não exige um cânon aberto.

A questão central é muito mais simples:

O Espírito Santo ainda pode conceder à igreja os dons que o Novo Testamento descreve?

O continuísta responde: sim.

O que é cessacionismo?

Cessacionismo é a posição segundo a qual certos dons extraordinários, especialmente aqueles relacionados à revelação e aos sinais da etapa fundacional da igreja, não continuam sendo concedidos da mesma maneira após o período apostólico.

Isso precisa ser dito com cuidado.

Cessacionistas não afirmam necessariamente que:

  • o Espírito Santo deixou de agir;
  • Deus não cura;
  • Deus não responde orações;
  • não existem mais dons;
  • Deus está limitado ao que chamamos de meios ordinários.

Cessacionistas representativos continuam afirmando regeneração, santificação, iluminação, oração, ensino, misericórdia, serviço e a ação providencial de Deus.

Alguns inclusive afirmam claramente que Deus pode curar extraordinariamente em resposta à oração, enquanto negam que certas pessoas continuem recebendo o dom de curar no sentido apostólico.

Então o debate não é:

“Deus ainda tem poder?”

Ambos os lados respondem: sim.

A discussão é:

Deus continua distribuindo determinados dons extraordinários à igreja como fazia no Novo Testamento?

Quais dons estão realmente em discussão?

Nem todos os dons espirituais estão no centro dessa controvérsia.

Quase ninguém está discutindo se ainda existem:

  • ensino;
  • serviço;
  • misericórdia;
  • contribuição;
  • liderança;
  • encorajamento.

O debate concentra-se principalmente em:

Dom Questão principal
Profecia Continua? Qual sua autoridade?
Línguas Continuam? Qual sua natureza?
Interpretação Continua junto ao dom de línguas?
Curas Existe ainda um dom de curas?
Milagres Existe capacitação extraordinária concedida a pessoas?
Discernimento de espíritos É apenas discernimento bíblico ou também manifestação extraordinária?
Apostolado O que cessou e o que significa “apóstolo” hoje?

E os apóstolos? Eles continuam?

Aqui precisamos fazer uma distinção essencial.

A Aviva não acredita que existam hoje apóstolos com autoridade equivalente à de Paulo e dos Doze.

O apostolado fundacional possui caráter singular.

Os apóstolos foram testemunhas autorizadas da ressurreição e desempenharam papel irrepetível no estabelecimento da igreja e na transmissão da revelação apostólica.

Portanto, reconhecemos uma cessação real e importante: o apostolado fundacional é irrepetível.

O fundamento não está sendo novamente colocado.

Efésios 2:20 diz que a igreja foi edificada:

“sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Cristo Jesus a pedra angular.”

O fundamento é colocado uma vez.

Mas existe uma diferença entre dizer:

“o apostolado fundacional terminou”

e dizer:

“portanto toda atividade espiritual que aparece ao lado dos apóstolos também terminou.”

Essa segunda afirmação exige argumentação adicional.

O Novo Testamento mostra pessoas que não eram dos Doze participando de manifestações extraordinárias.

Estêvão realiza sinais.

Filipe realiza sinais e curas.

Ágabo profetiza.

As filhas de Filipe profetizam.

Ananias recebe direção extraordinária.

Profetas servem em Antioquia.

Portanto, a cessação do apostolado fundacional não resolve automaticamente a questão de todos os outros dons.

Continuísmo é pentecostalismo?

Não necessariamente.

Continuísmo é uma posição sobre a continuidade dos dons.

Pentecostalismo é uma tradição histórica e teológica mais ampla.

Há pentecostais continuístas.

Há carismáticos continuístas.

Há reformados continuístas.

E há pessoas que são “abertas, mas cautelosas” sem assumirem uma prática carismática propriamente dita.

Pentecostais clássicos frequentemente possuem doutrinas específicas sobre batismo no Espírito e línguas como evidência inicial.

Um continuísta reformado pode rejeitar essas formulações e ainda assim acreditar na continuidade de profecia, línguas, curas e outros dons.

Portanto:

Todo pentecostal é normalmente continuísta, mas nem todo continuísta é pentecostal.

Qual é o argumento cessacionista mais forte?

Se quisermos debater honestamente, não devemos responder ao argumento cessacionista mais fraco.

O melhor argumento cessacionista é cumulativo.

Ele começa com a história da redenção.

Cristo veio.

Morreu.

Ressuscitou.

Foi exaltado.

Derramou o Espírito.

Os apóstolos foram enviados como testemunhas autorizadas.

A igreja foi estabelecida sobre esse fundamento.

Esses acontecimentos não precisam ser repetidos.

O cessacionista então relaciona:

  • Efésios 2:20;
  • Hebreus 2:3–4;
  • 2 Coríntios 12:12;
  • revelação apostólica;
  • sinais autenticadores;
  • conclusão da etapa fundacional.

A lógica é:

Se determinados dons estavam diretamente ligados à revelação e à autenticação dos mensageiros fundacionais, então, concluído o fundamento, esses dons não precisam continuar como dotação ordinária da igreja.

Esse argumento é coerente e merece respeito.

Efésios 2:20

Paulo diz que a igreja está edificada:

“sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Cristo Jesus a pedra angular.”

O cessacionista pergunta:

Se apóstolos e profetas fazem parte do fundamento, por que esperar profetas indefinidamente?

Essa é uma boa pergunta.

Nós concordamos que o fundamento é irrepetível.

A questão é outra:

Todos os usos da profecia no Novo Testamento possuem exatamente a mesma função fundacional de Efésios 2:20?

O texto não responde isso diretamente.

Efésios 2 é muito forte para a singularidade do fundamento apostólico-profético, mas ele não apresenta uma lista de dons extintos e não determina automaticamente a cessação de curas, línguas ou toda manifestação profética congregacional.

É aqui que colocamos Efésios 4 ao lado de Efésios 2.

Cristo concedeu à igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres:

“com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus.”

Não entendemos Efésios 4 como autorização para novos apóstolos fundacionais equivalentes aos Doze ou a Paulo. O ponto é que o texto apresenta dons e ministérios concedidos por Cristo para edificação da igreja, e sua presença na mesma lista não permite concluir, sem argumentação adicional, que todos tenham exatamente a mesma função ou duração histórica.

Não existem novos Paulo ou Doze.

Mas a existência de um fundamento irrepetível não significa automaticamente que toda capacitação profética e ministerial destinada à edificação tenha desaparecido.

Hebreus 2:3–4

Hebreus declara, em tradução livre:

“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Ela foi anunciada primeiramente pelo Senhor e confirmada a nós pelos que o ouviram. Deus também deu testemunho juntamente com eles, por meio de sinais, maravilhas, diversos milagres e distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.”

Isso mostra claramente que milagres tiveram função autenticadora.

O continuísta não precisa negar isso.

A pergunta é:

Autenticação era a única função dos dons?

Em 1 Coríntios, os dons também edificam, consolam, exortam e servem à igreja.

Portanto, demonstrar que sinais autenticaram a mensagem apostólica não prova automaticamente que toda manifestação extraordinária existia exclusivamente para autenticação.

2 Coríntios 12:12

Paulo declara, em tradução livre:

“Os sinais de um apóstolo foram realizados entre vocês com toda perseverança, por meio de sinais, maravilhas e obras poderosas.”

O cessacionista argumenta corretamente que sinais acompanhavam e autenticavam o ministério apostólico.

Mas há uma diferença lógica entre:

“os apóstolos eram acompanhados por sinais”

e:

“somente apóstolos podiam operar sinais.”

Atos mostra Estêvão e Filipe realizando sinais e milagres sem pertencerem aos Doze.

Portanto, 2 Coríntios 12:12 demonstra uma relação especial entre sinais e apostolado, não uma exclusividade absoluta de toda manifestação sobrenatural aos apóstolos.

Qual é o argumento continuísta mais forte?

Nosso argumento principal não é:

“Eu vi acontecer.”

Experiência pode ser considerada.

Mas não cria doutrina.

O argumento continuísta mais forte começa com mandamentos bíblicos positivos.

Paulo manda desejar os dons.

Destaca a profecia.

Proíbe a proibição indiscriminada de línguas.

Manda examinar as manifestações.

O continuísta pergunta:

Onde o Novo Testamento ensina que essas instruções deixariam de valer para a igreja?

Atos 2 e os últimos dias

Pedro interpreta Pentecostes com Joel:

“Nos últimos dias derramarei do meu Espírito…”

Filhos e filhas profetizam.

Jovens têm visões.

Idosos têm sonhos.

Servos e servas participam.

O continuísta vê nisso uma característica da era inaugurada por Cristo.

O cessacionista responde que Pentecostes é um evento inaugural singular.

E nisso ele está certo.

Mas uma coisa não elimina necessariamente a outra.

Pentecostes pode ser irrepetível como evento histórico e, ao mesmo tempo, inaugurar uma era na qual o Espírito continua distribuindo dons.

1 Coríntios 12: os dons pertencem ao corpo

Paulo não apresenta os dons como propriedade privada dos apóstolos.

Eles aparecem distribuídos na igreja.

O Espírito concede a cada um como quer.

O propósito é o bem comum.

Isso não prova sozinho que cada dom continue para sempre.

Mas impede afirmar que toda manifestação extraordinária estava restrita aos apóstolos.

Também destrói a ideia de que um mesmo dom deve ser universal.

Paulo pergunta:

“Todos falam em línguas?”

A resposta esperada é:

não.

1 Coríntios 13: quando os dons cessam?

Paulo afirma que profecias desaparecerão, línguas cessarão e conhecimento parcial passará.

Todos concordamos:

os dons não são eternos.

A pergunta é:

quando?

Paulo diz:

“quando vier o que é perfeito.”

Depois acrescenta, em tradução livre:

“Pois conhecemos em parte e profetizamos em parte; mas, quando vier o que é completo, aquilo que é parcial passará. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança e raciocinava como criança; quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de criança. Agora vemos como por um espelho, de maneira obscura; então veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei plenamente, assim como também sou plenamente conhecido.”

A expressão decisiva é:

“então veremos face a face.”

A conclusão do cânon não nos colocou face a face com Cristo.

Ainda andamos por fé.

Ainda conhecemos em parte.

Ainda esperamos.

Por isso entendemos “o perfeito” como a consumação, quando estaremos diante de Cristo.

Isso não diminui a Escritura.

Pelo contrário.

A Escritura é a Palavra inspirada, normativa e suficiente de Deus para a igreja nesta era.

Ela nos anuncia Cristo, testemunha de Cristo e conduz nossa fé a Cristo.

O horizonte da cessação dos dons não é a diminuição da Escritura, mas o cumprimento daquilo para o qual a própria Escritura aponta: a consumação na presença de Cristo.

Os dons cessam não porque a Palavra de Deus perde sua centralidade, mas porque chega a realidade plena anunciada pela Palavra: veremos Cristo face a face.

Isso também não prova que todos os dons tenham de aparecer com a mesma frequência em todos os séculos.

Mas torna muito difícil afirmar que 1 Coríntios 13 ensina que os dons cessariam quando o cânon fosse concluído.

O texto não diz isso.

Isso, porém, não encerra o debate com todo cessacionismo. Há cessacionistas que também entendem “o perfeito” de forma escatológica e defendem a cessação de certos dons por outros argumentos, especialmente o caráter fundacional dos apóstolos e profetas. Portanto, 1 Coríntios 13 enfraquece particularmente a leitura que identifica “o perfeito” com a conclusão do cânon, mas não refuta sozinho todo argumento cessacionista.

1 Coríntios 14: Paulo corrige o abuso sem cancelar o dom

Corinto tinha problemas.

Paulo poderia ter dito:

“Isso está produzindo confusão. Parem com os dons.”

Mas não disse.

Ele mandou buscar profecia.

Não proibir línguas.

Julgar profecias.

Exigir interpretação.

Limitar a participação.

Fazer tudo com decência e ordem.

O remédio apostólico contra abuso não foi cessação.

Foi regulação bíblica.

É por isso que não vemos desordem como prova de espiritualidade.

Quanto mais afirmamos os dons, mais precisamos afirmar:

  • ordem;
  • inteligibilidade;
  • submissão;
  • discernimento;
  • responsabilidade.

Mas e a profecia? Deus pode errar?

Não.

Se Deus fala, Deus não erra.

Por isso não dizemos que “Deus dá profecias erradas”.

Nossa compreensão é que há uma diferença entre a fonte divina e a recepção, interpretação e comunicação humanas.

Uma analogia útil é a pregação.

Na pregação há:

  • a Escritura inspirada, infalível e normativa;
  • a exposição humana do pregador.

O texto bíblico não erra.

O pregador pode interpretar corretamente ou incorretamente aquilo que leu.

Isso não significa que profecia e pregação sejam a mesma coisa.

A analogia serve apenas para mostrar que uma fonte divina verdadeira pode ser recebida e comunicada por seres humanos falíveis sem tornar o erro humano um erro de Deus.

Na Aviva, entendemos que uma manifestação profética contemporânea pode conter uma percepção ou direção de caráter pessoal e edificante.

Ela não estabelece doutrina.

Não cria cânon.

Não possui autoridade equivalente à Escritura.

E não pode governar a consciência acima da Palavra de Deus.

Alegações proféticas devem ser julgadas.

Se alguém diz:

“Creio que o Senhor possa estar trazendo isso ao meu coração”,

a igreja examina.

Não recebe automaticamente como:

“Assim diz o Senhor, portanto você é obrigado a obedecer.”

Essa distinção protege tanto a verdade de Deus quanto a consciência das pessoas.

Essa compreensão da profecia contemporânea não é compartilhada por todos os continuístas e constitui um dos pontos mais debatidos dentro do próprio continuísmo evangélico. Reconhecemos, portanto, que essa distinção precisa ser argumentada biblicamente e não simplesmente pressuposta.

O cânon está fechado

Nossa posição é inequívoca.

Não esperamos:

  • um novo livro da Bíblia;
  • uma nova doutrina;
  • um novo evangelho;
  • uma palavra que corrija a Escritura.

A Bíblia possui autoridade única.

O Espírito não contradiz o Espírito.

Aquele que inspirou a Escritura não conduzirá a igreja contra aquilo que revelou na Escritura.

Continuísmo não exige cânon aberto.

Mas também reconhecemos que simplesmente dizer “não entra na Bíblia” não resolve toda a discussão.

Por isso qualquer alegação contemporânea precisa ser recebida com humildade, examinada e mantida abaixo da autoridade das Escrituras.

“Julguem os profetas”

Paulo diz:

“falem dois ou três profetas e os outros julguem.”

Isso prova claramente que alegações proféticas precisam ser examinadas.

Mas não prova sozinho que uma profecia genuína de Deus contenha erro.

O cessacionista pode interpretar o julgamento como discernimento entre profecia verdadeira e falsa.

Essa objeção é legítima.

O ponto seguro é:

nenhuma alegação profética na igreja está acima de exame.

E a norma final é a Palavra de Deus.

E as línguas?

Continuístas acreditam que o dom pode continuar.

Cessacionistas entendem que pertence à etapa fundacional.

Mas qualquer prática que reivindique 1 Coríntios 14 precisa obedecer 1 Coríntios 14.

No culto público:

  • deve haver ordem;
  • deve haver interpretação;
  • não deve haver todos falando ao mesmo tempo;
  • a edificação da igreja é prioridade.

Ser carismático não é autorização para caos.

É responsabilidade de obedecer às regras apostólicas.

Deus ainda cura?

Sim.

E aqui continuístas e muitos cessacionistas estão mais próximos do que parece.

Tiago manda que a igreja ore pelos enfermos.

Cessacionistas podem afirmar cura extraordinária em resposta à oração e, ao mesmo tempo, negar que pessoas continuem recebendo o dom de curas.

Continuístas afirmam a oração por cura e também a possibilidade de o Espírito distribuir dons de curas.

Nenhuma das posições possui licença para dizer:

“Você não foi curado porque não teve fé suficiente.”

A igreja deve orar e cuidar.

Doença persistente não autoriza culpa automática sobre o enfermo.

E os períodos de silêncio na história?

A história da igreja possui períodos de manifestações intensas e períodos em que elas parecem raras ou ausentes.

Isso não deve ser ignorado.

Mas ausência histórica não é o mesmo que revogação bíblica.

O período intertestamentário é frequentemente descrito na tradição judaico-cristã como um período de silêncio profético em relação à revelação canônica.

Esse silêncio não significava que Deus jamais voltaria a falar.

João Batista aparece.

Cristo vem.

O Espírito é derramado.

Da mesma maneira, um período de menor registro de determinadas manifestações não constitui, por si só, uma declaração divina de que elas foram abolidas.

Isso não prova continuísmo.

Mas impede transformar silêncio histórico em mandamento bíblico.

A distribuição e a intensidade das manifestações do Espírito permanecem sob a soberania de Deus. Nenhuma geração pode transformar sua própria experiência em medida absoluta daquilo que Deus fará em outra.

O que a história da igreja mostra?

A história não resolve a doutrina.

Nossa doutrina vem da Escritura.

Mas a história impede simplificações.

Irineu, no final do século II, relata curas, manifestações proféticas, expulsão de demônios e línguas.

Isso impede dizer que tudo desapareceu imediatamente após o último apóstolo.

Crisóstomo, séculos depois, fala de determinados fenômenos de 1 Coríntios como desconhecidos em seu contexto.

Isso demonstra descontinuidade histórica real.

Agostinho posteriormente relata milagres em sua época.

Portanto, a história não apresenta uma linha uniforme.

Não podemos dizer:

“os dons estiveram igualmente presentes em toda época.”

Nem:

“eles desapareceram completamente assim que os apóstolos morreram.”

Reformadores, puritanos e avivamentos

Calvino sustentava posições cessacionistas em determinados assuntos.

John Owen também ensinava cessação de dons extraordinários.

Westminster afirma a cessação dos antigos modos de revelação.

Não precisamos esconder isso.

Mas nenhuma formulação teológica humana aprisiona o Espírito Santo.

O Grande Despertamento aconteceu em ambientes profundamente influenciados pela teologia reformada.

Jonathan Edwards e George Whitefield testemunharam enorme intensidade espiritual, conversões, afetos religiosos e renovação.

O Avivamento Galês posteriormente mostrou novamente que a igreja pode atravessar períodos de extraordinária intensidade espiritual.

Esses acontecimentos não provam automaticamente línguas ou profecia.

Provam algo diferente e importante:

cessacionismo doutrinário não equivale à ausência do Espírito, e períodos de silêncio não anulam a soberania de Deus para agir novamente com poder.

O Espírito age soberanamente.

Comparando as duas posições

Pergunta Cessacionismo Continuísmo
O Espírito atua hoje? Sim Sim
Deus pode curar? Sim Sim
Cânon está fechado? Sim Sim
Existem novos apóstolos como Paulo? Não Não, no continuísmo reformado
Profecia revelatória continua? Normalmente não Sim
Línguas continuam? Normalmente não Sim
Dons de curas continuam? Normalmente não Sim
Milagres podem ocorrer? Sim Sim
Principal preocupação Autoridade da revelação Obediência às instruções sobre os dons
Grande dificuldade Demonstrar extensão e momento da cessação Demonstrar identidade bíblica e autoridade das manifestações atuais

Há mais terreno comum do que o debate popular costuma admitir.

Por que a Aviva é continuísta?

Não somos continuístas porque precisamos de experiências para manter pessoas interessadas.

Não somos continuístas porque desprezamos a história reformada.

E não somos continuístas porque aceitamos tudo que acontece em ambientes carismáticos.

Somos continuístas porque, ao ler o Novo Testamento, encontramos:

  • mandamentos positivos para buscar os dons;
  • profecia e línguas reguladas, não abolidas;
  • manifestações distribuídas além dos apóstolos;
  • dons destinados à edificação da igreja;
  • o derramamento do Espírito situado nos últimos dias;
  • a cessação definitiva associada à consumação;
  • nenhuma declaração bíblica explícita retirando esses dons antes da volta de Cristo.

Consideramos os argumentos cessacionistas sérios.

Especialmente Efésios 2:20 e a questão da autoridade profética.

Mas não entendemos que eles sejam suficientes para anular o conjunto das instruções positivas do Novo Testamento.

Por isso buscamos os dons.

Mas buscamos com ordem.

Cremos em profecia.

Mas examinamos.

Oramos por cura.

Mas não fabricamos milagres.

Cremos que Deus pode dirigir pessoas.

Mas não permitimos que “Deus me disse” ocupe o lugar de “Está escrito”.

Esperamos o extraordinário.

Mas nunca acima das Escrituras.

O continuísmo exige discernimento

Às vezes a falta de discernimento é usada como argumento contra os dons.

Mas Paulo não diz:

“Como existem falsos profetas, desprezem profecias.”

Ele diz:

“não desprezem.”

E imediatamente:

“examinem tudo.”

Continuísmo sem discernimento não é o continuísmo do Novo Testamento.

É irresponsabilidade.

Uma igreja saudável precisa ser capaz de dizer:

“Essa palavra estava errada.”

“Essa alegação não se confirmou.”

“Não encontramos base bíblica para isso.”

“Isso não deve ser atribuído a Deus.”

O sobrenatural não fica acima da prestação de contas.

Alguns limites pastorais

Uma alegação espiritual nunca deve ser usada para:

  • impor casamento;
  • obrigar oferta;
  • decidir voto político;
  • controlar relacionamentos;
  • blindar liderança;
  • impedir perguntas;
  • encobrir pecado.

Uma cura relatada não deve ser anunciada como clinicamente comprovada se não foi.

Um dom não substitui caráter.

Uma experiência não substitui santidade.

Uma manifestação não transforma seu portador em autoridade absoluta.

Perguntas frequentes

O que é continuísmo?

É a posição de que determinados dons espirituais, incluindo profecia, línguas, curas e milagres, não foram retirados da igreja após a era apostólica.

O que é cessacionismo?

É a posição de que certos dons extraordinários ligados à etapa apostólica e fundacional da igreja cessaram.

Cessacionistas acreditam em milagres?

Muitos sim.

Eles podem acreditar que Deus cura e age extraordinariamente enquanto negam a existência atual de um dom permanente de curas.

Deus ainda cura?

Sim.

Continuístas e muitos cessacionistas afirmam isso.

A divergência está na continuidade do dom de curas, não na capacidade de Deus de curar.

Existe profecia hoje?

Continuístas respondem sim.

Cessacionistas entendem que a verdadeira profecia revelatória pertence à etapa fundacional.

Esse provavelmente é o ponto mais difícil de todo o debate.

Continuísmo significa cânon aberto?

Não.

Continuístas evangélicos representativos afirmam cânon fechado.

Mas precisam explicar cuidadosamente a autoridade e os limites das alegações proféticas contemporâneas.

Todo cristão precisa falar em línguas?

Não é o que 1 Coríntios 12 ensina.

Paulo pergunta se todos falam em línguas esperando uma resposta negativa.

Continuísmo é a mesma coisa que pentecostalismo?

Não.

Pentecostalismo é uma tradição histórica específica.

Continuísmo é uma posição sobre a duração dos dons.

Ser reformado exige ser cessacionista?

Não, se “reformado” está sendo utilizado no sentido de adesão às Doutrinas da Graça e à tradição reformada em sentido amplo.

Algumas confissões históricas, porém, possuem compromissos cessacionistas que precisam ser reconhecidos.

Continuístas acreditam em novos apóstolos iguais a Paulo?

Não necessariamente.

A Aviva não acredita.

O apostolado fundacional é irrepetível.

Conclusão

Então, o que separa continuísmo e cessacionismo?

Não é a crença no Espírito Santo.

Não é a crença em milagres.

Não é necessariamente a crença na soberania de Deus.

Não é nem mesmo o reconhecimento de que Deus pode agir extraordinariamente.

A grande diferença é:

determinados dons do Novo Testamento continuam sendo distribuídos à igreja hoje?

O cessacionista responde:

certos dons cumpriram sua função fundacional e cessaram.

O continuísta responde:

a função fundacional terminou, mas isso não significa que todos esses dons tenham sido retirados.

Na Aviva Church, escolhemos a segunda resposta.

Mas fazemos isso reconhecendo que o outro lado possui argumentos sérios.

Não precisamos transformar irmãos cessacionistas em inimigos para defender nossa posição.

E não precisamos defender todos os excessos do movimento carismático para crer nos dons.

Queremos obedecer ao texto.

Quando a Escritura diz:

“não desprezem as profecias”

queremos obedecer.

Quando diz:

“examinem todas as coisas”

queremos obedecer também.

Quando diz:

“não proíbam o falar em línguas”

queremos obedecer.

Quando diz:

“tudo seja feito com decência e ordem”

queremos obedecer da mesma maneira.

Esperamos que os dons cessem.

Mas não porque a Escritura perca sua centralidade.

A Escritura permanece a Palavra inspirada e normativa de Deus.

Os dons cessam quando chega a consumação para a qual a própria Escritura aponta.

Hoje conhecemos em parte. Um dia veremos Cristo face a face.

Para nós, o desafio não é escolher entre Espírito e Escritura.

É viver uma espiritualidade na qual o Espírito nunca seja usado contra a Palavra e a Palavra nunca seja usada como desculpa para apagar o Espírito.

Luz na mente. Fogo no coração.

Palavra e Espírito.

Referências e leituras recomendadas

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